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Estrela que brilha pela 100ª vez

A camiseta com o escudo do JEC tem o número 52 a cima do peito. Nada mais que algarismos utilizados pela rouparia do Joinville para marcar as vestes do treinador, para localização, tanto na primeira quanto na segunda passagem. Porém, a partir desta quarta-feira, quando a bola rolar para o Tricolor ante o Comercial-MS, às 21h30 (de Brasília) em Rio Brilhante, pela Copa do Brasil, outro número estará atrelado à figura de Hemerson Maria. Este será seu 100º jogo no comando da equipe profissional do Joinville Esporte Clube.
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Maria se junta a outros três treinadores que alcança as 100 partidas no clube: Velha (143), Alcino Simas (108) e Diede Lameiro (105). O manezinho da Ilha de SC e de 43 anos chega à marca com 56,5% de aproveitamento em 99 jogos (46 vitórias, 30 empates e 23 derrotas, com 122 gols marcados e 85 tentos sofridos).
Destes, ele esteve no comando do time em dois amistosos, quatro jogos da Copa do Brasil, cinco da Série A do Brasileiro, 38 da Série B do Campeonato Brasileiro e 50 pelo Campeonato Catarinense. Nas duas últimas competições ergueu a taça pelo JEC, em 2014 e 2015, respectivamente.
Ainda que esteja por ser ampliada, Hemerson Maria tem história no JEC. Os sócios-torcedores do clube perguntaram sobre ela nesta homenagem que o Joinville Esporte Clube rende a seu treinador. Confira a entrevista dos sócios com o comandante.
Ademar Luiz Franco: É a primeira equipe em que completa 100 jogos?
Hemerson Maria: É a primeira, sim. Espero que chegue ao jogo 200, 300, 400 ou 500… Se isso ocorrer, é sinal de que as coisas estão indo bem.
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Arthur César Mayer: Qual a sensação de completar 100 jogos no JEC?
Hemerson Maria: A sensação é melhor possível. Estou muito feliz mesmo. Foi uma conquista de um trabalho bem feito e realizado por todos. Agradeço a todos torcedores e funcionários do Joinville, aos atletas também, porque me ajudaram a alcançar esta marca. Espero que se prolongue mais.
Guilherme Luiz Weiler: Por que você escolheu o Joinville? O que o JEC tem que te faz se sentir em casa?
Hemerson Maria: O que me fez escolher o Joinville na primeira passagem foi a oportunidade de trabalhar em uma grande equipe, próxima de Florianópolis e da minha família. E também a possibilidade de conquistas. O Joinville oferece uma condição muito legal para os profissionais. Tinha certeza de que seria bem sucedido, teria conquistas e alavancaria a minha carreira.
TVJEC: assista ao vídeo da entrevista e mais (clique aqui).
Carlos César Vieira: Após toda a história no clube até agora, você já se sente com o coração tricolor?
Hemerson Maria: Hoje o coração do Hemerson Maria e de toda a família é tricolor. Costumo a falar com os meus amigos que quando você conquista um título é como você tivesse gerado um filho. O título da Série B e o de 2015 são marcas na minha memória. Hoje meu coração é tricolor.
Cristian Octávio Contreras Montero: Se arrepende de algo nestes 100 jogos pelo JEC?
Hemerson Maria: Eu tenho como filosofia de vida: tudo que é feito com convicção e com princípios que acho ideais, não pode ter arrependimento. Meu arrependimento foi de coisa que eu deixei de fazer, e isso não ocorreu no Joinville. Tudo que quis fazer pelo Joinville, eu consegui fazer. A vida é feita de escolhas, às vezes certas ou erradas. Estou certo de que no Joinville todas foram para acertar. Quando isso ocorre, não há porque haver frustração.
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Anderson Venâncio: Se pudesse mudar algo do passado, um fato ou uma situação, qual seria?
Hemerson Maria: Com certeza eu teria celebrado mais o título da Série B em 2014. Foi uma conquista histórica. Eu deixo de comemorar no momento e depois já passou. Teria comemorado mais, de repente ficar mais feliz com aquele momento. Passou rápido, em sequência vieram outros objetivos. Meu arrependimento é de não ter comemorado mais o título.
Eduardo Raul de Borba: Se você estivesse ficado no JEC na Série A, acha que o time faria uma campanha melhor? Ou se mantido na Série A?
Hemerson Maria: Esta é uma pergunta difícil. Posso dizer que aquele início de temporada foi bem planejado e as lesões fugiram de nosso controle, com a ausência de atletas primordiais para o sistema tático que eu tinha armado. Os que vieram para suprir saídas não renderam como esperávamos. O início da competição teve a volta à elite depois de 28 anos, a tabela e a estreia com gol sofrido no finzinho para o Fluminense. Se tivéssemos empatado este jogo e tivéssemos a Arena Joinville lotada no jogo seguinte, contra o Palmeiras tivemos portões fechados, poderia ter sido diferente. A largada da competição define a vida de um treinador no Brasil. Tenho certeza que a nossa largada não foi a ideal. Acredito no meu trabalho e acho que se tivesse ficado teriam sido corrigidos os erros do início e conseguido a recuperação. Mas não sou profeta, não poderia dizer se teria dado certo.
Sávio João da Cunha: Qual o jogo mais fácil e o mais difícil no comando do JEC até agora?
Hemerson Maria: Acredito que não tivemos nem um jogo fácil. O jogo mais confortável, talvez, tenha sido contra o Metropolitano, em que ocorreu aquele caso que eu prefiro sequer comentar. Todos os jogos que disputamos pelo Joinville tinham algum objetivo. Jamais houve zona de conforto. Não teve um jogo que eu tenha ido tranquilo e relaxado, todos tiveram um grau de dificuldade.
Fernando Claudio Guesser: Qual foi a partida em que ficou mais satisfeito com a equipe nos aspectos técnico e tático?
Hemerson Maria: A partida em que eu sai com a sensação de que o futebol foi o mais agradável, que o time criou oportunidades e foi equilibrado na defesa, não vencemos. Foi contra o Criciúma, na estreia do Campeonato Catarinense de 2014, o empate em 1 a 1. A equipe jogou muita bola, fomos agressivos. Poderíamos ter goleado ainda no primeiro tempo e ainda empataram o jogo em erro de arbitragem, no finalzinho. É uma partida que tenho como referência, e pode cair no esquecimento.
Mensagem
Gostaria de dar parabéns para você por esses cem jogos a frente desse clube que você se dedica tanto. Além de ser um grande treinador, dedicado, detalhista e extremamente profissional, é muito importante para nós, sua família, nos sentirmos muito orgulhosas por você ser esse profissional. Te amamos muito! De sua esposa Eliane e de sua filha Hérika.
Hemerson Maria: Tenho saudade delas, sem palavras. Minha filha Hérika, tem 10 anos, e é uma benção na minha vida, na minha família, assim como minha esposa. Conheci a Eliane quando eu ainda era sub-20, eu tinha 19 anos. Ela tem me aturado muito, desde os 23 anos sou treinador. Estive muito ausente de casa, perdi sua formatura e momentos importantes da vida dela. Só tenho a agradecer a bonita família que tenho, meus pais, meus sogros, meus irmãos, meus amigos. Eu sou um homem realizado, porque faço o que gosto e tenho uma bonita família.
Carlos César Vieira: Pelo que analisa das equipes neste ano, dá para buscar o acesso outra vez?
Hemerson Maria: Carlos, pode ter certeza que já mapeei as equipes da Série B. A cada ano é um campeonato mais competitivo. Teremos o Vasco e o Bahia, que são do Grupo dos 13 e têm alta capacidade de investimento. Tem o Goiás com uma boa preparação, assim como times do Nordeste, como Náutico e Ceará. Não quero assustar, mas virá muita emoção. Isso tudo com muito trabalho, dedicação e entrega dos atletas. Com o apoio da torcida, que é a número 1, vamos passar por esta fase e colocar o Joinville na Série A novamente. Abraços.

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